Poemas
chão descoberto onde me faço e me descubro até que me cubras e eu me desfaça - em chão o não sonhado queria ter sido...
Revista digital de Arte e Cultura
quando eu nasci
a casa ainda era branca
número 11
o telefone preto, de manivela
número 09
e o céu, azul infinito
*
nos olhos do gato pude ver refletidas
sete gerações
das mulheres mães
da minha estirpe
todas elas á beira de qualquer fogão
ardem em brasas
os olhos do gato
em seu último fôlego
(mais que cumprida sina)
não haveria mesmo ninguém. depois
de mim
*
esse chapéu estranho. que esconde
meus cabelos. quase cobre meus olhos
e quando sopra o vento ...voa
indelével memória. invisível presença
das mulheres todas que me geraram
*
tangerinas
me fazem lembrar domingos
em que o sol ardia
sob minhas
unhas
e nos vãos dos meus dentes
fiapos
deste mesmo sol
*
fogão de lenha
tacho de cobre e a “Nonna” -
saudade é doce
*
árvore do cerrado. cresceu comigo
rude e exótica. mas era minha
eu fui embora. ela não quis
ela não tinha pés. eu não tinha raiz
*
na casa vazia
tantos espelhos -
ninguém
*
teu rosto no retrato. os olhos fundos
perdidos
como quem busca vida
distantes
como quem sabe o tempo
verdes em sépia na fotografia
grafada face (sagrada grafia)
lábios cerrados como quem pressente
o grande silêncio
Nydia Bonetti, engenheira civil, nasceu em Piracaia, interior de São Paulo, onde reside. Mantém o blog L o n g i t u d e s (http://nydiabonetti.blogspot.com) Colaboradora na Revista Mallarmargens. Tem poemas publicados em revistas e sites literários e culturais: Revista Zunái, Portal Cronópios, , Eutomia, Germina Literatura, e outras. Faz parte da coletânea QASAÊD ILA FALASTIN (Poemas para a Palestina), Selo ZUNAI e da Antologia Digital Vinagre - Uma antologia dos poetas neobarrocos. Publicada em 2012, pela Coleção Poesia Viva, do Centro Cultural São Paulo, na antologia Desvio para o vermelho (Treze poetas brasileiros contemporâneos), organizada pela poeta Marceli Andresa Becker.Também em 2012, publicada pelo Projeto Instante Estante, de incentivo à leitura, curadoria de Sandra Santos, Castelinho Edições. Participou da Poemantologia da Revista Arraia PajéuBR, numa iniciativa conjunta com o Portal Cronópios. Lançou oficialmente o Sumi-ê em janeiro de 2014, à venda no catálogo da Editora Patuá. Aqui estão alguns poemas do livro ‘Casa 11, Telefone 09’ Inédito.
Leia mais sobre a poeta neste link: http://vitabreve.com/poesia/110/6/----------------------------------------poemas/